impossível ser outra coisa


duas páginas do meu fotolivro eletrônico sobrenome (2025)


o que eu mais gosto na arte é o fato de ela fazer com que a gente insista na nossa própria história. 

o vídeo que postei hoje no youtube não teve um roteiro, mas é um vídeo em que eu falo novamente sobre imagem, e eu acredito que muitas das conversas que vão acontecer daqui pra frente nesse espaço vão ser sobre imagens e sobre o que elas fazem com a vida da gente. 

dia desses, conversando com uma amiga, eu estava desabafando sobre essa ideia de ser uma pessoa que começou em diversas áreas. na parte da imagem, comecei fotografando, depois fui para o cinema, depois descobri a colagem, depois, enfim, muita coisa. às vezes eu vi isso como um defeito na minha vida criativa, sabe? de não ter sido uma pessoa que, desde o momento em que começou a fazer arte visual, em algum momento se propôs a estar ali num único caminho. 

e essa amiga — Minne, amiga, você é incrível — falou para mim que eu não deveria estar olhando com esse olhar de “olha aqui, o que você faz é confuso porque você está em vários caminhos”. ela me disse que era completamente notório o que eu criava, o que eu fazia. que, a partir do momento em que ela batia o olho em alguma coisa, sabia que era minha. isso me fez refletir muito sobre identidade, sobre o quanto a gente está dentro de determinadas temáticas e, com o tempo, de fato, cria um certo chão naquilo que gosta de fazer e falar.

foi muito confortante porque, quando olhei para o portfólio, com todas as linguagens juntas e reunidas, eu vi a mesma pesquisadora. eu vi a pessoa que realmente gosta de falar de memória, gosta de falar de paisagem dos lugares. e, por um momento, de forma definitiva, tudo em mim se acalmou. 


eu preciso olhar com esse olhar de carinho para cada passo que eu dei, para cada passo que eu dou. porque é muito importante que cada instante desse consiga alcançar o nosso coração de alguma forma, consiga alcançar a nossa cabeça de alguma forma, e que continue nos alcançando.

se eu pudesse deixar uma mensagem desse áudio que publiquei, é isso. é muito importante que a gente valide e reconheça o tamanho que a gente tem. não há outra coisa a ser feita pela gente que não seja isso: ter essa percepção do nosso tamanho. 


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laryssa andrade